Frase do dia

March 28th, 2010 § 0

Mãe que não frequentou o catecismo quando criança justifica para familiar a razão de matricular seu filho em uma escola religiosa:

“É preciso ter medo de alguma coisa”.

Sobre a crença e a ciência – Originalmente publicado na Folha de SP

March 28th, 2010 § 0

Marcelo Gleiser

Sobre a crença e a ciência


Respeito os que creem. A ciência não tem agenda contra a religião


A pergunta que mais me fazem quando dou palestras, ou mesmo quando me mandam e-mails, é se acredito em Deus. Quando respondo que não acredito, vejo um ar de confusão, às vezes até de medo, no rosto da pessoa: “Mas como o senhor consegue dormir à noite?”.

Não há nada de estranho em perguntar a um cientista sobre suas crenças. Afinal, ao seguirmos a velha rixa entre a ciência e a religião, vemos que, à medida em que a ciência foi progredindo, foi também ameaçando a presença de Deus no mundo. Mesmo o grande Newton via um papel essencial para Deus na natureza: Ele interferia para manter o cosmo em xeque, de modo que os planetas não desenvolvessem instabilidades e acabassem todos amontoados no centro, junto ao Sol. Porém, logo ficou claro que esse Deus era desnecessário, que a natureza podia cuidar de si mesma. O Deus que interferia no mundo transformou-se no Deus criador: após criar o mundo, deixou-o à mercê de suas leis.

Mas, nesse caso, o que seria de Deus? Se essa tendência continuasse, a ciência tornaria Deus desnecessário?

Foi dessa tensão que surgiu a crença de que a agenda da ciência é roubar Deus das pessoas. Um número espantoso de pessoas acha mesmo que esse é o objetivo dos cientistas, acabar com a crença de todo mundo. Os livros de Richard Dawkins e outros cientistas ateus militantes, que acusam os que creem de viverem num estado de delírio permanente, não ajudam em nada a situação. Mas será isso mesmo o que a ciência pretende? Será que esses fundamentalistas ateus falam por todos os cientistas?

De modo algum. Eu conheço muitos cientistas religiosos, que não veem qualquer conflito entre a sua ciência e a sua crença. Para eles, quanto mais entendem o Universo, mais admiram a obra do seu Deus. (São vários.) Mesmo que essa não seja a minha posição, respeito os que creem. A ciência não tem uma agenda contra a religião. Ela se propõe simplesmente a interpretar a natureza, expandindo nosso conhecimento do mundo natural. Sua missão é aliviar o sofrimento humano, aumentando o conforto das pessoas, desenvolvendo técnicas de produção avançadas, ajudando no combate às doenças. O “resto”, a bagagem humana que acompanha e inspira o conhecimento (e que às vezes o atravanca), não vem da ciência como corpo de saber, mas dos homens e das mulheres que se dedicam ao seu estudo.

É óbvio que, como já afirmava Einstein, crer num Deus que interfere nos afazeres humanos é incompatível com a visão da ciência de que a natureza procede de acordo com leis que, bem ou mal, podemos compreender. O problema se torna sério quando a religião se propõe a explicar fenômenos naturais; dizer que o mundo tem menos de 7.000 anos ou que somos descendentes diretos de Adão e Eva, que, por sua vez, foram criados por Deus, é equivalente a viver no século 16 ou antes disso. A insistência em negar os avanços e as descobertas da ciência é, francamente, inaceitável. Por exemplo, um número enorme de pessoas se recusa a aceitar que o homem pousou na Lua. Quando ouço isso, fico horrorizado. Esse feito, como tantos outros, deveria ser celebrado como um dos marcos da civilização, motivo de orgulho para todos nós.

Podemos dizer que existem dois tipos de pessoa: os naturalistas e os sobrenaturalistas. Os sobrenaturalistas veem forças ocultas por trás dos afazeres dos homens, vivendo escravizados por medos apocalípticos e crenças inexplicáveis. Os naturalistas aceitam que nunca teremos todas as respostas.
Mas, em vez de temer o desconhecido, abraçam essa ignorância como um desafio e não uma prisão. É por isso que eu durmo bem à noite.

MARCELO GLEISER

é professor de física teórica no Dartmouth College, em Hanover (EUA) e autor do livro “Criação Imperfeita”

Link para artigo na Folha de São Paulo

January 8th, 2010 § 0

contra-senso


Significado de Contra-senso
subst. m.
1. contradição, absurdo: dizer contra-sensos
Sinónimos de Contra-senso
absurdo e sem razão

Definição de Contra-senso
Divisão silábica de contra-senso: con.tra-sen.so

Classe gramatical de contra-senso
substantivo masculino

Não ultrapasse

October 26th, 2009 § 0



Não ultrapasse, upload feito originalmente por angelitabacon.

poderia ser um anteparo para os dias de fúria e sonho ruim

isso deve ser semiótica

October 26th, 2009 § 0

ilustração de brígida campbel

ilustração de brígida campbel

batatas andinas

October 26th, 2009 § 0



batatas andinas, upload feito originalmente por contrasenso.info.

leregina e suas guloseimas de fazer rir…

pro julius

October 7th, 2009 § 0

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a profundidade da superfície#2: fragmentos para meu irmão (exercício)

October 7th, 2009 § 0

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paris-cingapura

June 29th, 2009 § 1

a camera está desligada. a tv ainda hipnotiza quando madrugada. marcas e cases sobre o melhor emprego do mundo; qualquer pessoa pode se candidatar à ilha de Hamilton

the best job
in the world

escrever se tornou uma dor para além das possibilidades, bolas verdes relembram o exercício, as lápides sob uma são paulo presente apenas em certa cabeça. pare de olhar os fios, nada leva a alguma certeza que contemple agudos mais firmes. aprofundar, ele toca no parque toda segunda: tenho apreço por quem passa a vida a tocar, disse a garota;
ainda sem pagar o cartão
que droga, o disco é meu! ande pela rua como uma temeridade, ande na estação central com um player na mão e dance com a primeira pessoa, dance por um tempo de verduras reais, por descontos, por um longo tempo sentado frente o mendigo… ele espera ao telefone por tortas as certezas, em uma cabine embarcada no último voo paris-cingapura e capsúla H1N1 ou composto B12.

importa saber o que dizer em 140 caracteres, que seja mais fácil não complicar,
que seja

o corpo envelhece em torno da

June 29th, 2009 § 0

o sal entre o dispositivo, cabo, controle da tv; uma tela repete o corpo 30 frases por segundo… não importa o som da voz reverberada no peito de uma mulher em seu primeiro plano pornô. é estranho como o corpo envelhece em torno da xoxota, mas pouco retorna para o instante. Retira os brincos enquanto na programação apenas um aviso de fora do ar,

passa o tempo de todo corpo enquanto não se aproveita a outra gota que se dá dias a fio. o corpo feito arvore é apenas silêncio, ainda sim chove, e a voz da vendedora de sofás ao dizer que são ótimos para trepar… mas naquele dia o dinheiro era apenas um delírio dos nanochips em teus dentes.

Where Am I?

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